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Piora na governança pública e privada sufoca projetos consistentes de crescimento

Encerramos nosso último artigo com duas questões. A primeira: por que projetos bem-sucedidos não se transformaram em crescimento agregado? A segunda: se não voltarmos a avançar em termos relativos, podemos, sob certas condições, voltar para trás?

Com relação a essa última questão, a resposta é positiva e pode ser ilustrada por um exemplo bem conhecido. A Argentina era, na primeira metade do século 20, um dos países mais ricos do mundo. Uma longa decadência a fez retroceder para a condição atual de país de renda média, com expressiva parte da população na pobreza.

Com relação ao baixo crescimento do Brasil, creio que o debate recente tem sido muito produtivo ao levar claramente a duas grandes respostas.

Pior na governança vem ocorrendo em todo o setor público, o que inclui os três poderes, os três níveis do Executivo e outros entes ligados ao Estado Foto: Wilton Junior/Estadão

Temos convivido há muitos anos com elevadas taxas reais de juros, que limitam os investimentos e cuja origem fundamental (embora não sendo a única) está no persistente desajuste das contas públicas. A ideia de que “gasto é vida” sai claramente derrotada.

Em paralelo, a piora na governança pública e privada é grande o suficiente para parasitar o orçamento, as empresas e as pessoas. Com isso, projetos consistentes de crescimento ficam sufocados e, no limite, inviabilizados.

Este fenômeno vem ocorrendo em todo o setor público, o que inclui os três poderes, os três níveis do Executivo e outros entes ligados ao Estado. Coisas inimagináveis seguem acontecendo, como compra de sentenças, suborno a funcionários graduados do Banco Central, a enorme farra e o descalabro dos mais de R$ 50 bilhões das emendas parlamentares etc.

No setor privado, dada a falta de crescimento do país, o jogo econômico se transforma no popular “rouba-monte”. A expansão de uma dada empresa se faz, mais do que tudo, às custas dos concorrentes, pois os mercados crescem muito pouco, exceto para quem exporta.

Com o passar do tempo, começam a aparecer indivíduos, empresas e organizações mais qualificadas para o jogo bruto que se segue, sempre com o beneplácito ou ajuda ativa de uma repartição, um regulador, uma bancada temática bem azeitada no Congresso ou um juiz compreensivo.

Essa gente mais qualificada para o mal está hoje em toda parte. Pode ser o exército de estelionatários que inferniza a vida de todos nós, o crime organizado contaminando segmentos inteiros ou as empresas que fazem da sonegação seu modelo de negócios.

Os casos Master e Refit são os maiores exemplos do tamanho do problema.

Não teremos crescimento expressivo a menos que esses pontos sejam encarados de frente.

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