Um projeto de lei que institui a Bíblia Sagrada como material de apoio pedagógico nas escolas de Salvador foi aprovado pelos vereadores da capital baiana. A proposta, de autoria do vereador Kênio Rezende (PRD), foi votada esta semana e tornou-se o centro de uma discussão que envolve a interface entre educação, cultura e intolerância religiosa.
A iniciativa prevê que o livro seja utilizado como recurso complementar em matérias como História, Geografia, Filosofia, Artes, Literatura e Ensino Religioso. A justificativa apresentada pelo legislador enfatiza o valor histórico e cultural da Bíblia, negando que a medida tenha um propósito de doutrinação.
“O projeto não tem caráter religioso, mas reconhece o livro como um documento de relevância cultural e educacional”, declarou Rezende.
Para resguardar a liberdade de crença, o texto estabelece que a participação dos estudantes em atividades que envolvam o material será facultativa, portanto, de livre escolha.
O vereador defende que a medida amplia os instrumentos de ensino e fomenta o respeito à diversidade intelectual nas salas de aula.
Entretanto, a decisão legislativa foi recebida com objeções por parte de setores que defendem a laicidade estrita do espaço educativo, o que está sendo visto, também, como intolerância religiosa ao pensamento cristão, tendo em vista o caráter facultativo da medida.
A influenciadora e ativista Bárbara Carine, por exemplo, vocalizou forte oposição, argumentando que a escola deve permanecer como um ambiente neutro. “A escola não pode ser o quintal da igreja de ninguém. A Bíblia é um livro religioso e seu lugar natural são os espaços de fé, não a sala de aula”, afirmou, segundo o Exibir Gospel.
Este episódio ocorre em um contexto de debates recorrentes na casa legislativa municipal sobre a relação entre religião e sociedade. Pouco tempo antes, os vereadores haviam aprovado uma legislação que tipifica e combate a “cristofobia”, com o objetivo declarado de assegurar o respeito à comunidade cristã. Veja outro exemplo:
Cidade aprova o uso da Bíblia como recurso pedagógico complementar nas escolas