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Pode ter petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, mas jorra energia limpa em cada canto deste país

Em agosto de 2026, a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. Essa é uma boa notícia, não podemos negar. Segundo a Agência Internacional (IEA – International Energy Agency), em seu relatório World Energy Outlook de 2025, a questão da transição energética para combater o aquecimento global deve ser analisada considerando múltiplos cenários, e não com uma única trajetória tecnológica.

A IEA destaca que segurança energética, acessibilidade e descarbonização precisam ser equilibradas, e que diferentes países seguirão caminhos distintos na transição. Um conjunto abrangente de políticas deve cobrir rotas tecnológicas diversas, incluindo eletrificação, hidrogênio, biomassa sustentável (biodiesel, etanol, diesel verde, combustível sustentável de aviação), tendo em vista aspectos da eficiência energética e da infraestrutura.

Das mãos dos agricultores, em diversas regiões do País, nasce o combustível do futuro que garante o papel protagonista do Brasil na transição energética Foto: Wilton Junior/Estadão

Ponto importante é a posição do Brasil na transição energética, que vai muito além de um tema de clima para se configurar evidentemente como um instrumento de impulso econômico com impacto direto em toda a cadeia produtiva e, em especial, no agronegócio.

Nesse sentido, destaco dois eventos em agosto que trouxeram a transição energética como uma das principais pautas. Na LAT.BUS 2026 – Feira Latino-Americana do Transporte, realizada de 11 a 13 de agosto de 2026, em São Paulo (SP), foi considerado que a descarbonização do transporte deve ser construída por uma combinação de rotas tecnológicas, e os biocombustíveis foram colocados como uma solução imediata sem a necessidade de mudança de motores ou sistemas de abastecimento, com impacto imediato na redução das emissões.

Saltamos com essa pauta então para um dos mais importantes eventos de mineração da América Latina. A Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026), feira realizada de 24 a 27 de agosto, em Belo Horizonte (MG).

O setor de mineração está entre os grandes emissores de gases de efeito estufa, especialmente em atividades que demandam elevado consumo de energia e combustíveis.

Diante das metas cada vez mais ambiciosas de descarbonização assumidas pelas empresas do setor, os biocombustíveis se apresentam como uma das soluções mais rápidas e eficientes para reduzir emissões no curto e médio prazo, aproveitando a infraestrutura existente e permitindo uma transição energética com menor impacto operacional.

A discussão do avanço do uso de biocombustíveis em setores distintos como transportes e mineração aporta esta semana na Expointer (Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários), uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina e o principal evento do agronegócio do Sul do Brasil. Realizada em Esteio (RS), reúne produtores rurais, cooperativas, indústrias, instituições financeiras, empresas de tecnologia, pesquisadores e representantes do governo.

Com destaque na programação, o encontro reunirá especialistas e representantes do setor para debater o papel estratégico do biodiesel na segurança energética, no desenvolvimento do país e no fortalecimento da produção nacional.

A programação aborda desafios, oportunidades, tendências, inovação, economia e os diferentes assuntos que impactam o campo e o setor agropecuário, destacando o passo conjunto do crescimento da produção de alimentos e de energia renovável no País, com impacto direto no incremento do PIB e dos empregos verdes.

Nesta terça-feira (01/09/2026), na programação da exposição, também vou anunciar o lançamento da minha biografia O Embaixador do Agro (Critério Editorial). Relembrar essa trajetória, desde a minha infância no interior de Marau (RS) até as grandes negociações internacionais pelo nosso agronegócio, é um exercício de profunda gratidão. Além de um registro da minha história, é a prova de que, com trabalho, paciência e, acima de tudo, diálogo, somos capazes de construir pontes e levar o campo brasileiro a alimentar o mundo.

Ao olhar em perspectiva essa trajetória em confronto com o que acontece hoje na economia e na transição energética, fica claro que o poço do qual jorra biodiesel é o nosso campo. Das mãos de nossos agricultores, em diversas regiões do país, nasce o combustível do futuro que garante o papel protagonista do Brasil na transição energética. Mas movimenta também vários setores nacionais que dependem dessa solução para uma descarbonização no curto prazo.

Como observamos agora na Expointer, os biocombustíveis são reconhecidos por agregar valor para a cadeia do agronegócio, impulsionando a economia, gerando PIB e criando emprego.

Pode ter petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, mas jorra energia limpa em cada canto deste país. E é esta a história que vou acompanhar nos próximos anos.

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