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Por que a aposta que o sal�o ia flopar flopou?

Chegou ao fim o Salão do Automóvel de São Paulo 2025, e o melhor resumo possível a ser feito indica que aquela aposta de que a mostra iria “flopar” simplesmente “flopou”.Pequeno esclarecimento julgo necessário, “flopar” é gíria vinda das redes sociais e de agências de publicidade e marketing, que significa fracassar ou ficar longe do alcance esperado.

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POUCA ATENÇÃO À HISTÓRIA

Salão do Automóvel 2025:  público compareceu pelos carros, independente das marcas que estavam expostas
Imagem: Divulgação/SDA 2025

A turma do flopar cometeu vários erros, sendo o principal deles ignorar a história – falha, lamentavelmente, comum nos tempos atuais. Já houvera tentativa de “flopar” um salão antes, que terminou no mesmo retumbante engano.

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Foi em 1986. Alguém da Anfavea decidiu que era hora de tirar das mãos da Alcântara Machado, empresa produtora de feiras e eventos, o Salão do Automóvel, organizado por ela desde a primeira edição, em 1960. A Anfavea sempre foi a chanceladora do evento, mas a organização – e os lucros – sempre foram da Alcântara Machado.

Naquela época um gênio da associação disse a Caio de Alcântara Machado, presidente e fundador da empresa organizadora, que a Anfavea estava fora da mostra. Usou, para isso, uma desculpa envolvendo o cenário econômico do país. Ora, sem as montadoras não há salão, certamente ele pensou.

Mas Caio sabia que o salão era do automóvel, não das montadoras. Ele tinha consciência de que as pessoas iam ao evento para ver carros, não marcas. Esse era o ponto-chave. O que ele fez então?

Conseguiu autorizações temporárias de importação e trouxe cerca de 60 carros dos Estados Unidos, de todos os tipos e estilos, pagando do próprio bolso. Junto com marcas nacionais de baixos volumes como Miura, Gurgel, Farus, MP Lafer, BRM e outras, além de veículos antigos, encheu o Anhembi de carros. E o público lotou o evento. Foi um dos salões mais memoráveis até hoje.

A Anfavea teve que engolir a seco e nunca mais ousou mexer com a organizadora, que mais tarde foi vendida e absorvida por grupos globais de eventos até chegar ao dono atual, a RX. Por décadas, ninguém na associação das montadoras esqueceu-se daquela lição: o salão é de automóveis, não de marcas.

Passados quase 40 anos daquela ocasião, algo semelhante aconteceu no evento de 2025, com ao menos meia dúzia de montadoras tradicionais de fora, e o resultado foi exatamente o mesmo: o salão lotou, porque ninguém deixou de ir à mostra por conta de ausência desta ou daquela fabricante – pois o que importa neste evento são os carros, não as marcas.

Ah, mas isso faz quatro décadas, as coisas mudaram muito de lá para cá, alguém pode argumentar. É verdade. Só que a percepção do brasileiro sobre uma coisa chamada carro, o desejo por ele, e por ter um 0 KM na garagem, não mudou nada de lá para cá. Ponto positivo para a história, ponto negativo para os que a ignoraram.

DANDO ESPAÇO DE BANDEJA

Salão do Automóvel 2025
Salão do Automóvel 2025  recebeu bom público ao contrário do que algumas estimativas apontavam
Imagem: Divulgação/SDA 2025

O salão de 2025, porém, trouxe um efeito colateral seríssimo à turma do flopar, que não ocorreu em 1986. Não foi uma mera ausência, mas sim algo bem mais grave: a cessão de espaço para a concorrência – e uma concorrência feroz e agressiva.

Ao decidirem não participar do salão, essas marcas deram de bandeja espaço para que no mínimo 500 mil pessoas – sem contar o efeito multiplicador – conhecessem de perto as novas marcas e modelos chineses. Ou alguém acha mesmo que 500 mil pessoas em dez dias veriam um Denza na rua e saberiam do que se trata?

Ou entrariam em uma concessionária e fariam um test drive em um Avatr Changan? Ou um MG? Um Geely? Um GAC? Um Omoda Jaecoo?

Bem, agora todas essas pessoas sabem do que se trata. E mais: o contato próximo proporcionado pelo salão, tenho certeza, fez com que muita, mas muita gente, repensasse seus conceitos sobre carros chineses e carros elétricos. Mais do que acreditar em influenciadores preocupados apenas com suas curtidas e publis, elas puderam ver com seus próprios olhos e tirar suas próprias conclusões.

Não tenho dúvidas de que boa parte dos visitantes passou a considerar ter um carro chinês na garagem nos próximos anos, ou ao menos perdeu o preconceito sobre essa possibilidade.

Tudo isso graças a quem? Às marcas que não foram e deram espaço, de graça, para essas novas montadoras chinesas. Foi um erro estratégico crasso. E no fim quem ficou mal na fita foram as ausentes, pois o público deixou o Anhembi com o sentimento de que elas não foram porque não tinham nada para mostrar, porque não acompanharam as novas tecnologias híbridas e elétricas.

Escolhas, ah, as escolhas…

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