A Câmara Municipal de Quedas do Iguaçu lotou o plenário na sessão de segunda-feira (1º), ao receber representantes dos produtores de leite da região. O espaço da tribuna foi aberto para que a classe expusesse as dificuldades enfrentadas diante do avanço das importações e reforçasse o pedido de apoio político.
Na sequência do debate, os vereadores aprovaram por unanimidade a Moção de Apelo nº 003 de 2025 que será encaminhada ao Governo do Paraná e deputados estaduais em Curitiba, bem como ao Governo Federal, Ministério da Agricultura, Conab, Conselho Monetário Nacional e Congresso Nacional em Brasília. O documento cobra medidas urgentes para enfrentar a crise no setor leiteiro e garantir condições de sobrevivência aos produtores.
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Impactos da importação de leite
Em uso da tribuna, o presidente da associação de produtores, Meysson Vetorello, afirmou que a principal dificuldade é competir com o leite importado. “O produto, especialmente em pó, da Argentina e do Uruguai, chega a preços inferiores ao nosso custo de produção. Eles conseguem oferecer mais barato porque têm condições de solo e pastagens naturais, enquanto nós precisamos investir em fertilização e arcamos com custos maiores. Isso gera uma concorrência desleal”, destacou.
Ele lembrou que “Os preços hoje, são semelhantes aos de 2019, mas com custos muito mais altos, o que torna inviável manter a atividade em muitas propriedades”. Para Vetorello, “Cerca de 30% a 40% dos produtores encerraram as atividades nos últimos anos e isso preocupa porque os filhos já não querem mais ficar no campo”.
A produtora Marta Tajariol Bay, de Espigão Alto do Iguaçu, relatou a rotina da família na atividade. “Mesmo com dedicação e busca de eficiência, isso já não é suficiente. Os custos aumentam a cada ano e a receita não acompanha”, afirmou.
Ela acrescentou que “A incerteza sobre o preço pago pelo leite deixa muitas dúvidas sobre a continuidade da atividade. O inverno, que sempre foi um período para capitalizar, não trouxe essa oportunidade neste ano. Por isso, precisamos do apoio dos vereadores, deputados e governos para que medidas concretas sejam tomadas”.
O que é o antidumping
Uma das medidas cobradas pelos produtores e defendida na moção é a aplicação de regras de antidumping que servem para evitar que produtos importados sejam vendidos a preços inferiores ao custo de produção nacional.
Vetorello alertou que sem uma política nacional clara de proteção, muitos produtores não vão conseguir continuar. Ele também defendeu fiscalização contra a reidratação do leite, “Que é proibida no Brasil, mas não há como identificar com clareza nos produtos importados como chocolates e sorvetes”, enfatiza.
Mobilização regional em defesa dos produtores
A presidente em exercício da Câmara, vereadora Carlise Priscila Kazmierczak, ressaltou a importância da união do Legislativo. “Essa mobilização de todo o plenário unido pelos produtores rurais que vivem do leite é extremamente importante. Quando cada parlamentar corre atrás dos seus deputados e pressiona nos ministérios, a cobrança fica maior e a pressão política aumenta. Não podemos aceitar soluções temporárias, precisamos de medidas definitivas para dar segurança ao produtor”, afirmou.
Ela destacou ainda que o movimento representa um pedido de apoio, uma pressão popular. “Quando levamos essas demandas, mostramos que estamos organizados e lutando. Nossos produtores trabalham de sol a sol e precisam da segurança de que vão receber pelo que produzem. O governo tem que se posicionar e tomar medidas que façam diferença real na vida de cada agricultor da nossa cidade”, disse.
Carlise reforçou que a Câmara está aberta à comunidade. “Estamos totalmente de portas abertas. Existem muitas batalhas pela frente, mas podem contar sempre conosco. Hoje o pedido de socorro é dos produtores de leite, e nós vamos estar juntos para que alcancem as medidas necessárias e superem os problemas atuais.”
O vereador Aparecido Pereira dos Santos, o Cidão, também ressaltou a dimensão do problema. “A defesa do setor leiteiro não é recente. Iniciamos este esforço há três anos, participamos de manifestações na Assembleia Legislativa do Paraná, antes mesmo de eu ser vereador, e estivemos em outras cidades desenvolvendo esse trabalho. Agora, como vereador, é uma obrigação nossa atender e acompanhar esta demanda”, afirmou.
Cidão lembrou que a cadeia leiteira já perdeu centenas de postos de trabalho e que a queda na produção afeta diretamente o comércio local. “No nosso caso, estamos falando de cerca de 100 milhões de reais que deixarão de circular em nosso comércio. A luta é de todos. Precisamos estar juntos em Curitiba e em Brasília, levando essa voz para que haja providências”, enfatiza.
O presidente da Caciopar, Reni Fernande Felipe, avaliou a importância do setor leiteiro para a região. Ele lembrou que o leite é o segundo produto que mais gera renda e oportunidades no Oeste do Paraná. “Emprega muita gente, dá qualidade de vida e garante a continuidade da vida no campo”, afirmou.
Reni acrescentou que a entidade vai se somar aos esforços regionais. “Se continuarmos mobilizados e buscarmos em bloco essa reivindicação, a conquista será mais fácil. Digo aos produtores que não desistam. Encaminhem suas dificuldades aos órgãos competentes, porque juntos vamos lutar para que vocês sejam reconhecidos como geradores de riqueza, renda e oportunidade.”
Com a aprovação da moção, a Câmara de Quedas reafirma o papel como porta-voz da comunidade, cobrando uma política nacional capaz de proteger a produção, segurar o êxodo rural e fortalecer a economia local.
(Com Câmara Quedas do Iguaçu)
Fernanda Toigo
Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.