Em uma época em que a importação era proibida no Brasil, os carros fora de série, como os esportivos da Puma, se popularizaram em nosso mercado. Quase sempre providos de bom e velho motor boxer a ar, similar ao do Volkswagen Fusca, deixaram saudades. Hoje, por exemplo, um exemplar do GTE – fabricado de 1973 a 1980 – em ótima condição vale uma fortuna, principalmente fora do nosso mercado.
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Este raro e icônico Puma GTE 1975 amarelo das fotos é um bom exemplo do que estou falando. Em 2019, o veículo foi adquirido por um colecionador mineiro da família do primeiro proprietário.
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O carro estava em ótimas condições e, após uma revisão completa durante a pandemia, participou do Rally de Regularidade da Liberdade em dezembro de 2020, no qual conquistou o segundo lugar na classificação geral, provando seu excelente desempenho.
Este colecionador mineiro manteve o Puma até o final de 2021, quando o vendeu para São Paulo. De lá, o carro iniciou sua jornada internacional, sendo exportado para os Estados Unidos.
Raridade nos EUA
Imagem: Reprodução/ Siciliano Company
Atualmente, ele está sob os cuidados de João Siciliano, proprietário da Siciliano Company, uma empresa especializada na compra e venda de veículos antigos nos EUA. O carro mantém sua total originalidade, exatamente como foi importado. “O público americano tem demonstrado grande interesse na história do Puma.
Para eles, a originalidade de um carro brasileiro que se destacou em uma época dominada pelos potentes motores V8 americanos é algo fascinante”, comenta o empresário brasileiro João Siciliano, que também mantém outra loja aqui no Brasil.
Na unidade norte-americana, o empresário tem também o rival direto do Puma GTE, o Volkswagen SP2 , que já foi tema de matéria no AUTOO. Em seu estoque, já passaram outros clássicos nacionais como VW Variant, VW Brasilia, Bianco Tarpan, Dodge Magnum, entre outros clássicos que fizeram história no Brasil.
Além disso, João Siciliano Company conta que, ao explorar o mercado americano, localizou outros dois Pumas que foram exportados para os EUA, quando zero-quilômetro: um Puma 1978 GTE Coupé com apenas 29 mil km e um Puma 1982 GTC Conversível com 63 mil km.
“Esses dois carros estão intactos e, em breve, serão exportados para o Brasil, confirmando o ditado ‘o bom filho à casa torna’”, antecipa o empresário.

Imagem: Reprodução/ Siciliano Company
Falando do Puma GTE anunciado, o colecionável está em perfeitas condições de rodagem e estética. A pintura amarela não tem um detalhe que desabone o veículo, e as rodas diamantadas, bem como os faróis, lanternas e outros detalhes, são os originais do modelo.
Já na parte interna, os bancos de vinil e couro estão em boas condições e os painéis das portas, incluindo as maçanetas e guarnições intactas. Além disso, foram incluídos os interruptores para atualização do sistema de acionamento elétrico dos vidros. De resto, tudo permanece intocável, de fábrica.
O propulsor boxer 1600 de quatro cilindros refrigerado a ar (70 cv) e alimentado com a ajuda de dois carburadores ainda pulsa como um felino pronto para atacar. É original e com vigor para encarar qualquer track day ou mesmo um pacato passeio a dois.
O Puma GTE 1975 amarelo da Siciliano Company encontra-se disponível por US$ 27 mil, o que, fazendo uma conversão direta, sai por R$ 127 mil. Apenas como parâmetro, com essa grana, é possível comprar um Ford Mustang GT 2010. Sinal de que a mais rara joia brasileira tem o seu valor em qualquer canto do mundo.
PUMA GTE

Imagem: Divulgação
O Puma na configuração GTE surgiu em 1973, acompanhando algumas mudanças estilísticas dos primeiros GT (cupê) e GTE Spyder (conversível). Foi nesse início da década que a então Puma Indústria de Veículos S/A exportou os primeiros carros para a América do Norte, América do Sul e até a Europa. A essa altura, o conversível passou a se chamar GTS, enquanto o cupê passou a ser identificado como GTE.
No entanto, o confiável motor Volkswagen 1600, boxer, refrigerado a ar, com dupla carburação, era mantido. Ligado por uma transmissão mecânica de quatro marchas, o conjunto resultava em excelentes 70 cavalos de potência e torque de 12,3 kgfm a 3.000 rpm. Com isso, o Puma GTE demorava pouco mais de 16 segundos para ir de zero a 100 km/h. Na velocidade máxima, o cupê chegava perto dos 160 km/h.
Um ponto negativo do fora-de-série da Puma era o interior apertado, cuja solução foi trocar o chassi do Karmann Ghia pelo da Brasilia, que era mais largo. Com isso, também foram adotadas portas maiores, facilitando a entrada à cabine, melhorando significativamente o acesso e espaço interno não só do GTE, mas também na sua variação conversível GTS.
A próxima mudança estética do Puma ocorreu no final de 1980, com novos para-choques de borracha e a substituição das lanternas da Kombi pelas da Brasilia. Nessa fase, o cupê GTE passou a ser identificado como GTI, enquanto o conversível GTS era rebatizado de GTC.
De acordo com Christian Lovatto, sócio-fundador do Puma Clube de Campinas e diretor técnico da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), os novos GTI e GTC ainda conseguiram dar uma sobrevida em um período em que a Puma já demonstrava sinais de cansaço em meio à crise econômica, incêndios na fábrica e queda nas vendas.
“Até a falência da Puma em SP entre 1985 e 1986, foram produzidas 610 unidades do GTi e 1751 unidades do GTC. Ainda assim os modelos tiveram sobrevida com os novas fases da administração da marca no Paraná. O GTC por exemplo, durou até 1992 pela Puma Alfa Metais.”

Imagem: Divulgação