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Quanto a Indústria automotiva chinesa lucrou por carro em 2025?

Apesar do forte crescimento em volume e faturamento, a indústria automotiva chinesa vive um de seus momentos mais desafiadores em termos de rentabilidade. Dados divulgados pela China Passenger Car Association (CPCA) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, a margem de lucro média do setor ficou em apenas 4,4%, a segunda mais baixa da história, superando por apenas 0,1 ponto percentual o pior resultado já registrado, em 2024.

Na prática, isso significa que, mesmo com fábricas operando em alta escala e vendas em expansão, o lucro médio obtido por veículo foi de apenas 14.000 yuans, o equivalente a cerca de US$ 2.000 – ou aproximadamente R$ 11,1 mil.

Para efeito de comparação, em 2017 a margem de lucro da indústria automotiva chinesa era de 7,8%, caindo de forma quase contínua ao longo dos últimos anos. O movimento reflete um cenário descrito por analistas locais como de “crescimento em escala, mas sob forte pressão sobre os lucros”.



Foto de: GAC

Receita bilionária, margem mínima

Segundo a CPCA, o setor automotivo da China movimentou mais de 10 trilhões de yuans (cerca de US$ 1,42 trilhão) em receita no acumulado de 2025 até novembro, um crescimento anual de 8,1%. No entanto, os custos avançaram ainda mais rápido, com alta de 9%, alcançando 8,84 trilhões de yuans.

O resultado foi um lucro total de 440,3 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 62,6 bilhões), valor expressivo em termos absolutos, mas diluído por um mercado extremamente competitivo e por volumes recordes de produção.

Custos altos e guerra de preços

Dois fatores principais explicam a rentabilidade reduzida. O primeiro é o aumento dos custos, impulsionado por:

  • flutuações nos preços de matérias-primas para baterias;
  • elevação dos custos trabalhistas;
  • investimentos crescentes em tecnologia e canais de distribuição.


Fábrica inteligente da Zeekr em Ningbo, China

O segundo fator é a guerra de preços, inicialmente concentrada nos veículos elétricos e híbridos, mas que acabou se espalhando também para os modelos a combustão. A disputa direta entre veículos eletrificados e carros tradicionais reduziu drasticamente as margens em praticamente todos os segmentos.

Esse cenário é visível até mesmo nos balanços das grandes montadoras. A Great Wall Motor (GWM), por exemplo, registrou crescimento de quase 8% na receita nos três primeiros trimestres do ano, mas viu seu lucro líquido cair cerca de 17%, pressionado por investimentos em distribuição e pela concorrência acirrada em preços.



GWM Ora 5 estreia na China

Foto de: EV AutoHome

Modelos vendidos com prejuízo

A pressão sobre a rentabilidade já se reflete no varejo. De acordo com dados do portal chinês Autohome, mais de 70% dos modelos vendidos no país operam com prejuízo, enquanto mais da metade das concessionárias registra perdas financeiras.

Mesmo assim, o setor segue apostando em volume. Apenas em novembro, a indústria automotiva chinesa faturou 1,14 trilhão de yuans (cerca de US$ 163 bilhões), com crescimento anual de 9,7%. Os custos, porém, subiram 11,4%, limitando a margem do mês a 4,4%, apesar de uma melhora em relação aos 3,9% de outubro.

Produção em alta

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a China produziu 31,09 milhões de veículos, um crescimento de 11% na comparação anual. Desse total, 14,53 milhões foram veículos de nova energia (elétricos e híbridos), com avanço de 27% e uma taxa de penetração de 47%.

Já a produção de veículos a combustão ficou em 16,57 milhões de unidades, praticamente estável em relação ao ano anterior — outro sinal de que a eletrificação avança rapidamente, mas sem aliviar a pressão sobre as margens.

Impacto global

A combinação de escala gigantesca e lucro apertado ajuda a explicar por que as montadoras chinesas vêm adotando estratégias cada vez mais agressivas fora do país. Exportações, expansão para mercados emergentes e preços altamente competitivos tornaram-se essenciais para sustentar volumes e diluir custos.

Para mercados como Europa, América Latina e Brasil, isso significa mais carros chineses, preços pressionados para baixo e concorrência intensa, não apenas entre elétricos, mas em toda a indústria automotiva.

Fontes: China Passenger Car Association (CPCA), Cui Dongshu (CPCA), Autohome

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