
A dívida da Braskem soma cerca de US$ 11 bilhões e os ‘bondholders’ têm aproximadamente US$ 7 bilhões Foto: Joa Souza/Adobe Stock – 17/07/2014
Os negociadores da IG4, que é acionista controlador da Braskem por meio do fundo Shine, e da Petrobrás estão a caminho de Nova York para conversas com os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bondholders) pela companhia, apurou a Coluna. As conversas devem ir até a sexta-feira, dia 06, novo prazo dado pelos bondholders para se chegar a um acordo comercial e dar tempo de formalizar o plano de recuperação extrajudicial. O plano tem de ser entregue à Justiça até 23 de novembro, com adesão de 50% dos credores mais 1.
As conversas devem envolver temas como o valor do aporte da Petrobras na Braskem e as condições, enquanto o pedido de recuperação judicial feito nos EUA por um grupo específico dos bondholders também deve ser um tema, disseram fontes. No entanto, uma das fontes próximas aos bondholders observou que a questão do Chapter 11 involuntário é secundária.
O Chapter 11 involuntário foi requerido no dia 21 de outubro por fundos da Bracebridge Capital, que têm US$ 272 milhões em títulos de dívida emitidos pela Braskem America Finance Company (U.S. Finco) com vencimento em 2041. Segundo fontes, a companhia tem um prazo para se manifestar na Corte dos EUA, que pode chegar a cerca de 20 dias. A não contestação da Braskem pode dar início ao processo de recuperação judicial (Chapter 11), de acordo com uma fonte.
Havia um prazo anterior para que se chegasse a uma definição quanto ao pedido de aporte na companhia pelos credores e outros detalhes comerciais do acordo, que venceu no último dia 30. O comitê que representa os credores externos divulgou uma proposta de negociação no dia 24 de outubro prevendo um aporte de capital dos acionistas de US$ 1,85 bilhão e a conversão de US$ 1,85 bilhão de dívida em participação acionária, o que traria uma desalavancagem imediata de, no mínimo, US$ 3,7 bilhões na Braskem.
Estatal teria aceitado aporte de US$ 1,2 bi
A Petrobras teria, segundo apurou a Coluna na mesma ocasião, aceitado aportar US$ 1,2 bilhão no fechamento do acordo e mais US$ 500 milhões em 2029, condicionados ao nível de alavancagem da empresa, totalizando R$ 1,7 bilhão em dinheiro novo. Uma fonte próxima à negociação afirmou que a estatal está pouco inclinada a flexibilizar as condições e que qualquer acerto ainda terá de ser aprovado internamente pela petroleira.
Fontes com experiência em reestruturações no exterior e próximas ao caso avaliam que se trata de um dos primeiros casos em que há processo recuperação extrajudicial em andamento no Brasil e outro de recuperação judicial involuntário, aberto por fundos, nos EUA. “Caso o Chapter 11 seja aceito, se abrirá um caso sem precedentes”, disse uma das fontes.
A dívida total da Braskem soma cerca de US$ 11 bilhões e os bondholders têm aproximadamente US$ 7 bilhões dessa dívida.
Procurada, a IG4 não comentou e a Petrobrás não retornou.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 03/11/2026, às 18:26
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