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Reunião do FMI: sob tempestade tripla, Bangkok recebe líderes de 191 países

FMI alerta para impactos da guerra no Irã na economia mundial

CORRESPONDENTE EM NOVA YORK – Lideranças de 191 países vão se reunir na chuvosa Bangkok a partir desta segunda-feira,12. Sob a tensão de uma cidade que sofre com enchentes nos últimos dias, ministros da Economia e banqueiros centrais vão discutir cenários e abrigo para um mundo pressionado por um triplo temporal, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O endividamento crescente das nações e os juros em alta, a persistência da pressão inflacionária causada, sobretudo, pelas guerras, e os rumos da inteligência artificial (IA) estarão no centro das discussões do encontro anual do FMI e do Banco Mundial, que vai até o dia 18 de outubro na Tailândia.

FMI e Banco Mundial comandam em Bangkok reunião que busca saídas para crise global Foto: Chanakarn Laosarakham/AFP

Do Brasil, para a cidade que, antes do aterramento de canais, era conhecida como a Veneza do Oriente, vai viajar uma comitiva com o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Mathias Alencastro, e o diretor de Política Econômica e Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti.

Dívida pública perto de superar o PIB global

“Rendimentos elevados estão inflando a conta de juros em um momento de restrições orçamentárias e prioridades concorrentes, incluindo defesa”, resumiu a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, em discurso em Singapura na quarta-feira, 7. Segundo cálculos do FMI, a dívida pública vai superar os 100% do PIB global em 2030, mas já provoca, hoje, desajustes nos mercados e problemas nas economias mais desenvolvidas.

Um exemplo disso são os títulos soberanos americanos, que têm orbitado em torno das máximas das últimas duas décadas. Na quinta-feira, 8, um leilão do Tesouro americano de T-bonds de 30 anos teve um rendimento máximo (5,618%), muito acima da média recente (4,993%), de acordo com o BMO.

“A dinâmica de juros altos não está presente apenas nos EUA. Ela reflete um reajuste mais amplo no custo de capital que está ocorrendo globalmente: dos Gilts do Reino Unido até os títulos do governo japonês”, afirmam os co-CEOs da Brookfield Credit, Bob O’Leary e Armen Panossian.

Um outro exemplo desse quadro tempestuoso é a França, cuja situação fiscal acendeu sinal amarelo para outras economias europeias, como Itália e Grécia. Depois de publicar o orçamento para 2027, o país experimentou a descrença de investidores na sua capacidade de pagamento e viu o diferencial dos juros de dez anos dos títulos soberanos disparar em relação aos alemães. Na manhã desta sexta-feira, o diferencial rondava os 140 pontos-base.

Guerras afetam o consumidor globalmente

O alto custo da energia e dos alimentos é uma grande preocupação do FMI e dos gestores públicos. Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump decidiu criar regras temporárias para baratear o preço do diesel para o consumidor americano, que pagava pouco mais da metade dos atuais US$ 6,50 por galão de diesel.

Para o FMI, as guerras da Rússia contra a Ucrânia e, mais recentemente, dos Estados Unidos contra o Irã têm papel central em uma crise que afeta o consumidor globalmente. O fundo afirma que vivemos uma crise de aumento do custo de vida. Essa crise tem penalizado o bem-estar das pessoas e reduzido o poder de compra de forma permanente. Em relatório, o FMI observa que, historicamente, os salários reais seguem defasados anos depois de encerrada uma crise.

Em casos como esse, o FMI diz que transferências de renda temporárias são mais eficientes do que subsídios amplos ao consumo ou ao setor produtivo. O estudo, que observou as medidas em 76 países entre 1996 e 2025, apontou que alcançar um grau comparável de proteção para famílias vulneráveis por meio de medidas de supressão de preços pode exigir entre 3 e 22 vezes os recursos fiscais em comparação com o suporte de renda direcionado.

Como se não bastassem os dilemas causados pela guerra, energia cara e dívida alta dos países, o FMI chama atenção para outro problema: a incerteza sobre os rumos da IA. Georgieva declarou que a IA gera efeito inflacionário diante da enxurrada de investimentos e do uso intensivo de energia.

Como medida preventiva, a dirigente citou a proposta da Anthropic de desacelerar o desenvolvimento e o cancelamento de um novo modelo pela OpenAI. Ambas iniciativas vão de encontro à reação do governo Trump, que propôs vencer a guerra da IA e, entre outras decisões, rebatizar a IA para super inteligência.

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