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Revolut avança em licenças bancárias e acelera expansão na América

Revolut patrocina a Audi, do brasileiro Gabriel Bortoleto, na Fórmula 1 Foto: Vincent Thian /AP – 09/10/2026

A Revolut entrou em uma fase mais agressiva do processo de expansão na América e prepara o campo de batalha no continente que também está no centro da estratégia de seu principal rival global, o Nubank. Depois de receber licença bancária completa no México e Colômbia, esta última no mês passado, a fintech britânica aguarda o aval final de reguladores de Estados Unidos e Peru, além de ingressar na Argentina por meio da compra das operações locais da francesa Cetelem, já aprovada pelo banco central do país vizinho.

No Brasil, a instituição financeira opera como Sociedade de Crédito Direto (SCD) desde 2023, mas já mantém discussões preliminares para subir alguns degraus na escala regulatória e eventualmente obter a autorização para atuar como banco múltiplo. Ao contrário do Nubank, que conquistou a licença brasileira após comprar o Banco Porto Real de Investimentos, o banco digital europeu deve optar pela via orgânica, embora ainda não tenha um prazo detalhado para os planos.

Em comum, uma meta de longo prazo ambiciosa: transformar-se em um dos três maiores bancos em cada mercado que entrar. Com cerca de 80 milhões de clientes, a Revolut também quer ampliar a presença de pouco mais de 40 para 100 países e alcançar a marca de 100 milhões de usuários ativos. França, Reino Unido, Austrália, Lituânia estão entre os locais onde conseguiu aval recente dos reguladores.

Há efeito de rede entre países

A ideia é que essa capilaridade seja o chamariz para atrair clientes que transitam entre diferentes países e, assim, acelerar o ritmo de crescimento, inclusive na Europa. “Existe um claro efeito de rede entre os países”, afirma à Coluna o chefe de crescimento da América da Revolut, Ignacio Zunzunegui. “Vimos que quando crescemos mais fora da Europa, aceleramos o crescimento também na Europa.”

Nos EUA, a Revolut oferece serviços financeiros por meio de uma parceria de banking as a service com o Lead Bank, que fornece a estrutura regulatória para a operação. O arranjo é o mesmo usado pelo Nubank para antecipar, no mês passado, a entrada no mercado americano. Os dois obtiveram, neste ano, a aprovação condicional para constituir um banco nacional no País e esperam conseguir o aval definitivo no ano que vem.

Além dos EUA, a Revolut quer operar na Índia, um mercado gigante, com muitos imigrantes em locais como o Reino Unido, onde o banco digital nasceu em 2015, em Londres. “Na Índia, estamos falando de mais de 1 bilhão de pessoas”, disse Zunzunegui. Suíça e África do Sul são outros mercados onde a Revolut está buscando autorizações regulatórias, passo que já conseguiu nos Emirados Árabes Unidos, região que tem muitos expatriados, um público que tem o perfil do banco digital.

Empresa é avaliada em US$ 115 bi

Avaliada em US$ 115 bilhões em uma rodada privada de venda de ações que está sendo concluída, o fundador da Revolut, Nikolay Storonsky, tem dito que o banco pode abrir o capital (IPO, na sigla em inglês) por meio de uma dupla listagem, em Nova York e em Londres. Uma eventual oferta ocorrerá menos por necessidade de levantar recursos do que como oportunidade para remunerar os investidores atuais, garante Zunzunegui. “Nós temos uma companhia já saudável e lucrativa, não precisamos de capital de fora para crescer”, explica.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 13/10/2026, às 16:47

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