Projeto de melhoramento genético busca oferecer à ovinocultura de corte animais mais eficientes, produtivos e rentáveis
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul (RS) trabalham no desenvolvimento da chamada “ovelha do futuro”, um projeto de melhoramento genético que busca oferecer à ovinocultura de corte animais mais eficientes, produtivos e rentáveis. O rebanho da unidade já reúne quatro características principais: melhor conformação e rendimento de carcaça (mais carne em cortes valorizados, como pernil), perda espontânea de lã, maior prolificidade (cordeiros por parto) e resistência a verminoses.
Um dos objetivos do projeto é possibilitar que os produtores projetem sua própria “ovelha do futuro”, utilizando a genética das quatro características ou aquela que seja do seu interesse. “Queremos que o próprio produtor desenvolva a sua ovelha do futuro, de acordo com seus objetivos e sistema de produção”, diz o pesquisador João Carlos de Oliveira.
Ou seja, se um produtor já cria ovinos de raças naturalmente deslanadas, a genética de perda de lã não vai interessar, mas as outras podem trazer melhorias e ganhos para a sua criação e, do mesmo modo, com as demais características selecionadas.
O pesquisador explica que a seleção assistida pode transformar a base da atividade. “Com essa seleção é possível duplicar a eficácia produtiva, a partir de uma nova relação entre receitas e despesas, além de contribuir para a redução de emissões de gases de efeito estufa e para a diminuição do efetivo populacional improdutivo nos rebanhos.”
A seleção para prolificidade e rendimento de carcaça é feita via genótipo — identificação de genes já conhecidos. Já a perda natural de lã e a resistência às verminoses são pesquisadas por meio da observação dos animais que apresentam essas características (fenótipo).
Genes que moldam a “ovelha do futuro”
Entre as características genéticas já identificadas está o gene Booroola, introduzido pela Embrapa há mais de 20 anos, que aumenta os nascimentos múltiplos. Outros dois genes com a mesma função foram descobertos: o gene Embrapa, na raça Santa Inês, e o Vacaria, na raça Île-de-France.
Já o gene Bombacha, inicialmente encontrado em ovinos Texel, está ligado à parte traseira mais desenvolvida, o que garante maior quantidade de carne nos cortes comerciais. Os pesquisadores estimam ganho médio de 9% no peso das carcaças e 5% no rendimento. “Com o incremento médio no peso e no rendimento da carcaça, o produtor consegue receber mais com as vendas dos cordeiros”, afirma o pesquisador Carlos Hoff de Souza.
Outra inovação é a introdução de animais com perda espontânea de lã, o que pode reduzir em pelo menos 50% a necessidade de tosquias anuais. “O custo da tosquia na região de Bagé atualmente gira em torno de R$ 12 por ovelha ao ano, e esse custo muitas vezes supera o preço pago pela lã produzida”, explica Oliveira.
Por fim, a seleção de ovinos resistentes a verminoses promete reduzir em até 50% o uso de vermífugos. Isso significa menor custo com medicamentos, melhor desempenho dos cordeiros, menos contaminação das pastagens e maior bem-estar animal. “O esperado é que as linhagens selecionadas sejam tratadas, no máximo, três vezes ao ano”, afirma a pesquisadora Magda Benavides.