Com mais de 100 pesquisadores de diversas regiões do País, iniciativa visa garantir alimentos mais seguros, nutritivos e sem contaminação
O Brasil tem agora um novo centro de referência científica dedicado à segurança alimentar: o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos (INCT-Alim), instalado no Instituto de Química (IQSC) da USP em São Carlos (SP).
Aprovado em edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto reúne mais de 100 pesquisadores de instituições de diferentes regiões do País, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Biológico de São Paulo, o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), além de órgãos reguladores como o Mapa e a Anvisa. O objetivo é garantir alimentos mais seguros, nutritivos e livres de contaminantes, desde a produção até a mesa do consumidor.
Com aporte de R$ 6 milhões em recursos públicos, o INCT-Alim prevê financiar pesquisas de ponta, aquisição de equipamentos, formação de jovens cientistas e concessão de bolsas. A coordenação é do professor Fernando Mauro Lanças, especialista em química analítica, que destaca a relevância do instituto diante de desafios atuais, como o aumento no consumo de ultraprocessados, a insegurança alimentar e os efeitos das mudanças climáticas na produção agrícola.
As atividades estão organizadas em cinco frentes principais: desenvolvimento de métodos mais rápidos e precisos para detecção de contaminantes; avaliação dos riscos à saúde associados a resíduos e toxinas; estudo de compostos bioativos e nutracêuticos; análise de substâncias que interferem em aroma, sabor e segurança dos alimentos; e aplicação de processos avançados de oxidação para reduzir a presença de contaminantes.
Atenção aos cancerígenos
Entre os trabalhos em andamento, está o monitoramento de substâncias potencialmente cancerígenas em alimentos. Laboratórios ligados ao instituto vêm criando técnicas mais sensíveis, ágeis, automatizadas e sustentáveis para identificar pesticidas em vegetais, resíduos de medicamentos em produtos de origem animal — como carne, leite, ovos e mel — e toxinas, como as micotoxinas presentes em alguns alimentos e bebidas. “Esses estudos têm impacto direto nas normas regulatórias e fornecem subsídios técnicos a órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Anvisa”, afirma Lanças, em nota.
Além da pesquisa científica, o INCT-Alim investe na formação de recursos humanos. Jovens pesquisadores participam de cursos, workshops, treinamentos e programas de intercâmbio, em parceria com centros internacionais de excelência, como o Laboratory of Foodomics, na Espanha, e a Technical University of Crete, na Grécia.
O instituto também prevê um canal de diálogo com a sociedade. A partir de 2026, serão lançados materiais educativos em diferentes formatos — cartilhas, vídeos, oficinas e conteúdos digitais — voltados a escolas, consumidores e profissionais da saúde. Os resultados e novidades também serão divulgados por meio de redes sociais, como o Instagram.
*Com informações da USP