Só neste ano, até setembro, os fundos de ações já perderam R$ 11 bilhões, enquanto os multimercados tiveram saques de mais R$ 9,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A visão na Faria Lima é a de que muitos fundos de ações podem fechar nos próximos meses. “Não tem como pagar time, não tem mais captação, as cotas ficaram muito negativas”, disse um gestor independente. Outro gestor, de grande casa local, afirmou que “muita gente segurou as pontas esperando resultado de Flávio nas eleições”. Segundo ele, várias gestoras não estavam se pagando.
Na renda fixa, tendência é de continuidade
Na renda fixa, os fundos atraíram R$ 136 bilhões este ano e a tendência é de continuidade dos fluxos e, talvez em um segundo momento, a demanda por papéis no mercado secundário para títulos de crédito corporativo pode levar companhias a fazerem novas captações. Hoje, a visão é a de que, com a taxa futura para cinco anos, uma referência para emissões no crédito privado, acima de 15%, qualquer operação está inviabilizada. “É um nível insustentável de juros para o Brasil”, afirma um banqueiro.
As empresas levantaram R$ 556,7 bilhões em ofertas no mercado de capital este ano, até setembro, expansão de 5,3% ante o mesmo período do ano passado, de acordo com a Anbima. A renda fixa, porém, já foi mais fraca, com captações de R$ 441 bilhões, uma redução de 9,8%.