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Stellantis vai se associar a quantas chinesas forem necessárias para liderar no Brasil

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As marcas chinesas estão conquistando espaço a passos largos no mercado brasileiro, mas as montadoras veteranas não pretendem ceder terreno sem briga. É o caso da Stellantis. Herlander Zola, presidente do grupo para a América do Sul, afirma que a empresa vai firmar quantas parcerias forem necessárias para manter a liderança no novo cenário automotivo.

“Se for necessário se associar a mais marcas chinesas para manter a nossa competitividade na região, nós vamos fazer”, declarou o executivo em almoço com jornalistas.

A Stellantis é responsável por quase um quarto de todas as vendas de veículos no continente e controla marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram, além da chinesa Leapmotor — incorporada recentemente ao portfólio para fazer frente às rivais da Ásia.

“A parceria que temos com a Leapmotor é super estratégica, mas nós também podemos avançar com a Dongfeng ou com outras alianças. O importante é garantir o nível de tecnologia, escala e produto necessário para disputar o mercado”, explicou Zola.

O executivo foi ainda mais enfático sobre o limite dessas alianças: “Eu posso me associar a mais uma, duas ou a mais dez [marcas chinesas], dependendo daquilo que for necessário para garantir o nível de competitividade importante para a empresa na nossa região”.

Presidente da Stellantis América do Sul não descarta mais parcerias para defender a liderança do mercado diante das novas marcas. Foto> Tiago Queiroz/Estadão. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Stellantis detalha avanço com a Dongfeng

A gigante chinesa Dongfeng (que atua sob a marca DFM no Brasil) já conversa com a Stellantis para expandir a aliança existente na China para a América do Sul. A parceria pode resultar na produção de veículos em fábricas já existentes do grupo na região, além do desenvolvimento conjunto de novos produtos. A chinesa também negocia cooperação local com a Nissan.

“A parceria que a Stellantis estabeleceu em nível global com a Dongfeng pode ter aqui na nossa região um desdobramento mais profundo do que em outras partes do mundo. Esse é um assunto que tem avançado bastante nos últimos meses”, revelou o presidente.

Chinesas provocaram revisão de planos da Stellantis

Zola admite que a velocidade do avanço chinês forçou a Stellantis a reorganizar seu planejamento estratégico. A companhia, que tem um plano de investimentos de R$ 30 bilhões no Brasil até 2030, readequou o cronograma de lançamentos e tecnologias para a nova realidade do mercado.

O executivo voltou a defender a necessidade de “isonomia competitiva” e alertou para as discussões sobre a desoneração na importação de carros desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD) vindo da China.

Segundo Zola, se esse modelo for incentivado pelo governo, pode interessar às marcas já estabelecidas para reduzir custos, mas trará um forte impacto social: para montar um carro em CKD, o contingente fabril necessário equivale a apenas 10% da força de trabalho atual da Stellantis na América do Sul, composta hoje por 35 mil colaboradores.

 

Stellantis considera fechar fábricas na Argentina

O fantasma da desindustrialização já bate à porta da operação argentina do grupo. A Stellantis possui duas unidades fabris no país vizinho (em El Palomar e Córdoba), mas a abertura de mercado promovida pelo governo de Javier Milei colocou a viabilidade da produção local em cheque.

“A Peugeot, por exemplo, caiu do patamar de 9% para 5% de participação no mercado argentino — e isso em um cenário de retração geral das vendas”, revelou Zola.

Com a queda na demanda e os custos de produção em alta, o executivo não descarta medidas extremas. “Podemos tomar a decisão de fechar uma fábrica e manter outra; de manter as duas ou, até mesmo, de fechar as duas, dependendo de como as regras do governo se definirem”, concluiu.

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