Com menor fluxo de vendas, frigoríficos exportadores recuam nas compras e alongam escalas de abate
A arroba do boi gordo recuou fortemente nesta semana, com o mercado precificando as tarifas dos Estados Unidos (EUA) sobre as exportações brasileiras. Apesar da medida entrar em vigor apenas em 1º de agosto, os efeitos chegaram antes.
Conforme os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na quinta-feira, 17, os preços no mercado doméstico tiveram recuos mais intensos, com quedas ao redor de R$ 5,00 por arroba em diversas praças. No indicador Cepea/Esalq, o valor médio por arroba de 15 quilos, livre de Funrural, chegou a R$ 298,50, no encerramento do dia.
“Os preços da carne também seguiram em baixa no atacado. No segmento de reposição, o ritmo de negócios e os preços arrefeceram. O interesse comprador se mostra baixo em todas as praças, com as escalas para a virada do mês”, destacaram os pesquisadores em boletim.
Quedas mais intensas no mercado do boi gordo foram verificadas pela Agrifatto. Segundo levantamento da consultoria, o destaque de recuo ficou para São Paulo, com queda de 1,40% na comparação diária, com a arroba precificada a R$ 295,62 na quinta-feira. Porém, em Minas Gerais houve avanço diário de 0,06%, com arroba, em média, a R$ 287,36.
Escalas
Ainda conforme a consultoria, diversas plantas frigoríficas exportadoras adotaram uma maior cautela para o preenchimento das escalas de abate, devido a diminuição do fluxo de venda, o que fez muitos saírem de compras. “As plantas frigoríficas que atendem o mercado interno também recuaram na procura de animais, pois houve uma sobreoferta de animais à linha de abate. Com isso, os preços sofrem com uma pressão de baixa”, explicou.
De acordo com a Agrifatto, apesar dos esforços do governo e de entidades representativas do setor, a expectativa é a continuidade dessa pressão no preço do boi gordo.