Nem mesmo o programa “Carro Sustentável” vai evitar a estagnação das vendas de veículos em 2025. De acordo com o estudo de mecado elaborado pela consultoria automobilística K.Lume, a recente alteração do IPI pouco afetou o mercado dos veículos de entrada. Isso porque o impacto se deu nos segmentos de maior valor agregado. Houve grandes flutuações de vendas entre algumas faixas de preços.
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Entre R$ 160 mil e R$ 180 mil, por exemplo, ocorreu uma diminuição representativa. Já na faixa de R$ 140 mil a R$ 160 mil, as vendas subiram”, comenta a consultora Maía Martins, sócia da K.LUME Consultoria Automobilística.
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Ainda segundo a consultora, no cômputo geral, o que se viu foi um ligeiro aumento do ticket médio. Em julho, o preço médio de veículos vendidos no mercado brasileiro foi de R$ 147.769,80. No mês passado, a alta foi de 3,4%, alcançando o valor de a R$ 152.727,40”, esclarece.
Exportações salvam produção em agosto
Imagem: Divulgação
Conforme dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a melhor notícia para a indústria no mês de agosto foi a exportação de 57,1 mil unidades, melhor resultado desde junho de 2018.
Esse volume representou uma alta de 19,3% sobre julho e de 49,3% sobre o mesmo mês do ano passado, e teve como grande responsável a Argentina, que já responde por 59% dos embarques no ano. O acumulado geral de janeiro a agosto soma 313,3 mil unidades, 2,1% acima das exportações nos primeiros oito meses de 2024.
O mercado interno mantém comportamento de estabilidade, mas com elevação da venda de importados e dos canais de vendas diretas, em detrimento do varejo de modelos nacionais. Em agosto, o total de emplacamentos foi de 225,4 mil autoveículos.

O acumulado de emplacamentos deste ano é de 1,668 milhão de autoveículos, apenas 2,8% a mais do que nos primeiros oito meses de 2024. Contudo, chama a atenção a alta de 12,1% das vendas de importados. Em agosto, a China foi o principal porto de origem dos importados emplacados pela primeira vez na história, superando a Argentina, que ocupa esse posto desde o início dos anos 1990.
As vendas de modelos nacionais no varejo já caíram 9,3% no ano, ante um crescimento de 17,3% dos importados. Mesmo nas vendas diretas, os nacionais cresceram 12,4%, um pouco abaixo dos 13,8% de alta dos estrangeiros.
Entre todos os segmentos de autoveículos, o que mais sofre os efeitos dos juros elevados, da alta inadimplência e da desaceleração da atividade econômica é o de caminhões. Em agosto, pela primeira vez houve queda na produção acumulada em relação a 2024. O recuo é de apenas 1%, mas indica uma inversão da curva de crescimento que se mantinha ao longo dos primeiros sete meses do ano.