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Vivo negocia compra da Vero, provedora de banda larga

A Vivo tem 8,2 milhões de assinantes de internet por fibra ótica Foto: Tiago Queiroz/Estadão – 22/09/2022

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, está avaliando a aquisição da Vero, informaram à Coluna fontes a par das tratativas. Assessores já foram contratados para esse fim, e as negociações estão em curso, embora não haja um acordo vinculante assinado até o momento.

O negócio é um sinal de que as operadoras de médio e grande porte estão mais ativas na busca de opções de crescimento inorgânico, especialmente em banda larga fixa, um mercado já saturado. As fusões e aquisições surgem como alternativa para ganho de escala, alívio de dívidas e busca de sinergias. Neste ano, a Claro comprou a Desktop; a Brasil Tecpar está adquirindo a Ligga; enquanto a Giga Mais e a Sky discutem uma combinação dos negócios.

O carro-chefe da Vero é a banda larga fixa, mas ela vem perdendo assinantes. Só neste ano, foram 64 mil usuários a menos. Além da competição acirrada, a empresa cortou inadimplentes e adotou maior rigor na análise de crédito dos consumidores para novas vendas. Hoje, são 1,3 milhões de clientes em 425 cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Empresa é controlada por gestoras de investimentos

Investida da Vinci Compass, a Vero foi projetada desde sua fundação, em 2019, para uma abertura do capital na bolsa, mas a piora do mercado fechou as janelas de oportunidade nos últimos anos, e por enquanto não há sinalização de reabertura da janela de captação.

Uma solução intermediária veio em 2023, através da fusão com a Americanet, investida da Warburg Pincus. Atualmente, Vinci e Pincus detêm o controle do negócio, com 60% de participação ao todo. O restante está nas mãos de sócios minoritários. A venda da Vero seria a porta de saída para essas gestoras de private equity concluírem o investimento feito anos atrás.

Além disso, ajudaria a resolver o endividamento elevado. A dívida líquida da Vero bateu em R$ 3 bilhões, com alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda anualizado) de 3,3 vezes. O grosso da dívida está em debêntures cujos vencimentos são crescentes a partir do ano que vem, apertando o seu fluxo de caixa.

Agência rebaixou perspectiva de rating

Em outubro, a agência de classificação de risco S&P alterou a perspectiva do rating da Vero de estável para negativa, refletindo a perda de clientes, cortes no faturamento e a dificuldade de cumprir métricas de alavancagem assumidas junto aos debenturistas. “A combinação entre o enfraquecimento operacional e as altas taxas de juros também reduziu a folga para cumprimento dos covenants de alavancagem”, descreveu a S&P, em relatório.

Do lado da Vivo, a principal vantagem da potencial compra da Vero seria reforçar a presença nas regiões Sudeste e Sul, onde disputa a preferência dos consumidores com a Claro e com provedores locais fortes em Santa Catarina e Paraná, como a Unifique. Se confirmado, o negócio seria relevante para a Vivo, mas não a ponto de configurar uma mudança estrutural. O quadro indica para um negócio mais “oportunístico” diante das dificuldades da Vero, segundo fontes.

A Vivo tem 105 milhões de clientes de internet móvel e 8,2 milhões de acessos em banda larga por fibra ótica – aqui, ela é uma das poucas operadoras que têm sido capazes de ampliar a base de assinantes a despeito do mercado acirrado. A situação do caixa é confortável, com alavancagem de apenas 1 vez.

Negócio precisa de aval da matriz

Para a aquisição avançar, será preciso ter aval da controladora, o Grupo Telefónica na Espanha, que tem como acionista o governo espanhol (e há eleições por lá em novembro). Em 2025, a multinacional anunciou um plano para reduzir a dívida por lá e aumentar a eficiência das suas operações globais, incluindo corte de custos na ordem de 3 bilhões de euros até 2030. “Os acionistas vão querer aumentar a exposição do negócio no Brasil, ou vão preservar o caixa para gerar dividendos?”, ponderou uma das fontes consultadas.

Procurada, a Vivo informou que “avalia constantemente oportunidades de mercado e investimentos alinhados com a sua estratégia.” A Vero não comentou.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 28/10/2026, às 16:15

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