O Volkswagen Voyage chegou ao Brasil no ano de 1981 de carona com o então recém-lançado Gol, primeiro fruto da família BX. Assim como o hatch, o sedã trouxe muitas qualidades, sendo a principal delas a robustez e a confiabilidade.
VEJA TAMBÉM:
Para a concepção do Voyage, a Volkswagen do Brasil foi buscar inspiração no primeiro Jetta europeu. E não é que o projeto deu certo, pois, tendo como rivais o Chevrolet Chevette e Fiat Oggi, o Voyage foi o sedã compacto que mais tempo permaneceu no mercado.
Este VW Voyage 1.5 LS 1983 da Salvajoli é um daqueles clássicos que nos fazem voltar no tempo, ou, no melhor sentido literário, viajar no tempo. Segundo o dono da loja, Evandro Salvajoli, o carro tem – pasmem, amigo leitor! – apenas 367 km originais. Como se isso não bastasse, até a pintura sólida (cinza Carrara) não tem um detalhe. Você há de convir comigo que antigamente tons pastéis exigiam mais cuidado em relação aos metálicos.
Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.
Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos
Quanto ao motor, a unidade é a MD-270 1.6 a álcool (hoje nomeado de etanol), novidade para a linha 1983, que equipou o Gol, a Parati, a Saveiro e o Passat. Regido com o câmbio de quatro marchas, o 0 a 100 km/h era feito em 15,3 segundos, 0,1 s mais lento que o Passat GTS Pointer. Já a velocidade final era de pouco mais de 150 km/h contra 160 km/h do fastback. A explicação estava no baixo peso do sedã compacto, 898 kg.
A parte interna do Voyage chama a atenção pelo acabamento muito bem preservado. Reparem nos detalhes cromados nas saídas de ar e no centro do volante com o brasão da cidade de Wolfsburg. Toda a parte elétrica, incluindo o rádio toca-fitas TKR, permanece intacta, do mesmo modo que a tapeçaria e vidros, com a etiqueta da Blindex.
Este clássico sedã da Volkswagen está sendo oferecido por R$ 170 mil (preço de um VW Virtus Exclusive 0 km) e, nas palavras do próprio Evandro, foi uma época em que ninguém guardava carro zero. Só depois de 1985 é que o brasileiro passou a guardá-los, sob a forma de preservar o seu dinheiro. Época em que a hiperinflação e a desvalorização do dinheiro começavam a preocupar.

Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos
“Um colecionador descobriu este Voyage de único dono há cerca de uns 13 anos, que ainda estava na cera de fábrica, e depois resolveu passar para mim”, conta Salvajoli.
VIAGEM DE MAIS DE 40 ANOS ENTRE IDA E VOLTA

Imagem: Divulgação
O Volkswagen Voyage (“viagem” em francês) foi lançado em 1981 nas versões S e LS, aproveitando o embalo do Gol, um possível substituto do Fusca. A S trazia acabamento mais espartano e a LS, além do acabamento mais caprichado, vinha com para-choques cromados, desembaçador no vigia traseiro e espelho retrovisor do lado esquerdo.
Ao contrário do Gol, que inicialmente foi equipado com o velho boxer a ar de 1,3 litro (47 cv) do Fusca, o Voyage já trazia o 1.5 de 78 cv e 11,5 kgfm. Ainda assim, não era suficiente para empurrar seus quase 900 kg de peso bruto. Por isso, já no ano seguinte, o Voyage passou a receber o propulsor 1.6 (MD-270) de quatro cilindros carburado (81 cv e 12,8 kgfm) emprestado do Passat. Mesmo sem alterações no câmbio manual de quatro marchas, o Voyage ficou mais ágil, ainda que o consumo tenha sido sacrificado. Na aceleração de 0 a 100 km/h, o sedã fazia em 15,3 segundos, com velocidade final de 153 km/h.
O estilo inconfundível, inspirado no VW Jetta europeu, trazia três volumes bem definidos. Isso deu ao Voyage até 52 litros extras de porta-malas (382 l) frente ao Gol. A frente era parecida com a do primeiro fruto da família BX, mas trazia os piscas incorporados junto aos faróis principais. A traseira, por sua vez, era harmônica e trazia muitos elementos dos sedãs alemães da época. As linhas laterais traziam esportividade, ainda que prevalecesse um estilo mais sóbrio.
A ‘ousadia’ viria em 1983 com a opção de quatro portas. O foco era os taxistas, já que naquele tempo a preferência era pela opção das duas portas. Ainda neste ano, foi oferecida como opcional a transmissão mecânica de cinco marchas, que trouxe mais conforto e economia de combustível. Além dessa novidade, surgiu também a edição Los Angeles — vendida só na cor azul enseada — em tributo às Olimpíadas de 1984

Imagem: Divulgação
Na linha 1985, a novidade ficou a cargo dos novos motores AP (Alta Performance) 1.6 de 85 cv e 12,6 kgfm (S, Plus e LS) e 1.8 94 cv e 15,2 kgfm (versão Super), até hoje super respeitados pela sua confiabilidade e resistência.
A primeira mudança visual do Voyage surgiu no ano de 1986 como linha 1987, quando passou a ser vendido nas novas versões C, CL, GL e GLS. Em 1987, a Volkswagen passou a exportar para os EUA o sedã que, por lá, foi vendido como Fox, com mais de 2.000 modificações, incluindo a injeção eletrônica de combustível.
O Voyage passaria por nova mudança estética em 1991, quando oferecia os motores AE 1600 (76 cv e 13,3 kgfm) para a versão CL e AP 1.8 (95 cv e 15,6 kgfm) para a GL.
Nos anos seguintes, o sedã ganhou novos equipamentos e chegou a oferecer ar-condicionado e direção hidráulica como opcionais para a versão GL.
Mas uma das versões que mais os entusiastas se recordam é a Sport, produzida a partir de 1993. Seu estilo esportivo reforçado pelas rodas BBS era o charme do modelo. O motor AP-1800S usado também no Passat GTS Pointer e Gol GTS rendia excelentes 105 cv de potência e torque de 15,3 kgfm. Já bastava para mover seus 945 kg até os 100 km/h em respeitáveis 10,2 segundos.
Produzido até 1996 nessa primeira fase, o Voyage teve mais de 465 mil unidades vendidas.
A VOLTA DO VOYAGE

Imagem: Divulgação
O Voyage só retornaria ao mercado no final de 2008 completamente novo, incluindo a plataforma PQ24, inaugurada pelo VW Polo. Outra novidade estava no conjunto motriz.
Do ponto de vista estético, ele é quase o clone do Gol, até as portas traseiras. Depois em diante, tudo é diferente. No Voyage, a vantagem era o espaço interno ligeiramente superior. O porta-malas de bons 480 litros, ou quase 200 litros superior ao do hatch, até hoje se tornou referência.
As primeiras unidades vieram com duas opções de motores flexíveis e, de série, a mais simples trazia apenas o essencial, como banco do motorista com regulagem de altura, porta-malas com iluminação e abertura elétrica interna, tomada de 12V, rodas de 14 polegadas e vidros verdes. Se quisesse ar-condicionado, trio elétrico ou direção hidráulica, por exemplo, só pedindo à parte.
Para isso, o sedã trazia o 1.0 VHT (Volkswagen High Torque) e 1.6 VHT da família EA 11, o mesmo do Fox e Gol, que rendem 76/72 cv e 10,6/9,7 kgfm, associado ao câmbio manual de cinco marchas, além do propulsor 1.6 com 104/101 cv e 15,6/15,4 kgfm, com a mesma transmissão da 1.0.
No final de 2009, a VW apresentou o Voyage com o câmbio automatizado I-Motion, em resposta ao lançamento da Fiat com o Siena equipado com o câmbio Dualogic.
Junto à reestilização na linha 2012, o Voyage ganhou melhorias na opção 1.0 TEC, sigla para Tecnologia de Economia de Combustível, que, apesar de ter mantido a potência e torque, teve o consumo como um dos principais pontos positivos, algo em torno de 4%, segundo a VW.
Outra mudança significativa ocorreu na linha 2016, quando ganhou o segundo facelift e, novamente, com mudanças na motorização 1.0, que passou a contar com três cilindros e 12 válvulas (82/75 cv e 10,4/9,7 kgfm). O câmbio era o mesmo manual de cinco marchas.
Para o modelo 2019, veio a opção do câmbio automático de seis marchas, apenas para as versões equipadas com motor 1.6 (120/110 cv e 16,8/15,8 kgfm).
Sem o mesmo apelo emocional dos primeiros Volkswagen quadrados, o novo Voyage até que resistiu bem ao tempo, tendo fortes concorrentes. Em 2022, o sedã de entrada se despedia de vez do mercado, passando o bastão para o Virtus, um sedã mais atualizado.