WhatsApp testa recurso para restringir conversas no Android; entenda
WhatsApp testa recurso para restringir conversas no Android; entenda.
O WhatsApp está trazendo ao seu aplicativo novos controles parentais para conversas de adolescentes a partir desta quarta-feira, 30.
Os novos controles no WhatsApp permitem que pais, mães ou responsáveis ajustem configurações para conta de adolescentes, como a visibilidade da foto de perfil e quais números podem adicioná-los a grupos. Essas funções podem ser ajustadas mediante aprovação dos responsáveis por meio de uma senha (PIN). Os novos recursos chegam ao País em um ano em que a legislação do ECA Digital entrou em vigor — a fiscalização das exigências, como controles parentais, começa em 2027.
Também estarão disponíveis funções como notificações sobre entrada e saída de grupos ou sobre o crescimento significativo de um grupo do qual o adolescente participa, a forma de usar canais (que funcionam como comunidades de conteúdo) e a visibilidade de publicações de imagens com duração de 24h (tanto quem pode ver o que o jovem posta quanto os conteúdos de quais contas eles podem ver).
A inteligência artificial generativa do WhatsApp, a Meta IA, também poderá ter ajustes feitos pelos responsáveis por adolescentes. Ela pode ser mais permissiva para maiores de 13 anos ou mais rigorosa — neste último caso, com acesso a um conteúdo limitado.
Segundo o WhatsApp, os novos controles parentais atendem a demandas dos usuários, que desejavam estar presentes nas vidas digitais dos jovens sem ficar no encalço deles. Ligações e mensagens pessoais dos adolescentes continuam privadas.
Os controles parentais chegam um mês depois de a Meta, dona do WhatsApp, ter aceitado pagar uma multa de US$ 16,68 bilhões (cerca de R$ 87 bilhões) para encerrar um processo por seus apps terem causado vício em adolescentes.
“E isso é só o começo. Estamos desenvolvendo esses controles com base nas necessidades que as famílias nos expressam, etapa por etapa. Todos esses controles estão sendo desenvolvidos para apoiar conversas abertas sobre como usar o WhatsApp entre pais, mães ou responsáveis e adolescentes, enquanto mantemos a privacidade das mensagens pessoais de todos”, diz a empresa.
Na avaliação de Fabro Steibel, diretor-executivo do ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, organização sem fins lucrativos focada em estudos sobre o impacto da tecnologia na sociedade), os novos controles podem funcionar como ferramentas para os pais, mas isso não exime a responsabilidade da empresa.
“O que deve ser controlado é a terceirização da responsabilidade para que seja só dos pais. Ela é compartilhada com a plataforma, que tem de fazer uma boa moderação, com os pais, que têm de exercer esse controle, e com o Estado, que tem de fazer o controle também. Então, a princípio, (ter novos controles) é bom”, afirma.
Para Steibel, a criação do ECA Digital foi um passo importante na proteção de crianças e adolescentes na internet e colocou o Brasil na vanguarda da regulação sobre o tema.
“A legislação atual protege os menores de idade. A Europa agora está copiando porque precisava reforçar os direitos de crianças, adolescentes e os deveres relacionados a eles no mundo digital. O Marco Civil da Internet (em vigor desde 2014) trouxe uma boa base, mas essa atualização do ECA digital é um grande avanço”, diz.
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Os controles parentais começaram a se popularizar em plataformas digitais neste ano em resposta ao ECA Digital. A legislação prevê a criação de ferramentas de controle para responsáveis que envolvem ajustes de privacidade, identificação de perfis de adultos que se comunicam com jovens, controle de salvaguardas e acompanhamento do tempo de uso de serviços digitais.
Um dos principais casos de adaptação à legislação é o do Discord, plataforma de comunicação que teve casos ligados a crimes digitais. Em 2024, por exemplo, uma investigação do jornal americano The Washington Post documentou grupos de predadores que usavam o Discord para coagir adolescentes a realizar atos degradantes e violentos.

WhatsApp apresenta novos controles parentais Foto: Aleksei/Adobe Stock
A partir deste ano, o Discord passou a permitir que pais ou responsáveis conectem suas contas à de um adolescente, mediante autorização. Com isso, é possível acompanhar um resumo das atividades no Discord, incluindo os servidores dos quais participa o jovem e as pessoas com quem interage. O conteúdo das mensagens permanece privado.