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Won-Joon Choi, da Samsung, Fala sobre Próxima Grande Virada dos Smartphones

Grandes empresas raramente são ágeis. Mas Won-joon Choi, Diretor de Operações da Samsung, afirma que não é assim que a Samsung se vê. E ele deve saber do que está falando, já que também é o responsável pela área de P&D da companhia.

“É uma organização grande, com muitos times e grupos, mas somos excelentes na execução”, disse. “Um dos nossos pontos fortes é a integração vertical. Isso nos dá muita flexibilidade. Quando decidimos que queremos construir algo, podemos trabalhar de forma muito próxima com diferentes equipes — tela, chipset, câmera — e fazer acontecer. Uma vez definida a direção, toda a organização da empresa trabalha como uma só. Somos muito focados em entregar produtos e experiências.”

Em outras palavras, parece que o tamanho nem sempre te deixa mais lento. “As pessoas pensam que empresas grandes não são ágeis”, disse o executivo. “Mas, no nosso caso, como temos todas essas tecnologias dentro da empresa, podemos, na verdade, nos mover muito rápido quando necessário.”

Isso é importante porque os smartphones estão entrando em uma nova fase, com a IA assumindo o protagonismo. “Além disso, operamos em escala global. Então, uma vez que temos uma ideia e a transformamos em um produto ou experiência real, podemos causar um impacto significativo na indústria”, afirmou. Exatamente como a nova Tela de Privacidade no Galaxy S26 Ultra.

Se você ainda não viu, a Tela de Privacidade faz com que curiosos olhando por cima do seu ombro não consigam ver o que está na sua tela. “Identificamos alguns comportamentos, especialmente entre as gerações mais jovens”, disse Choi. “Quando andam de metrô ou ônibus, eles colocam uma película de privacidade na tela porque não querem que outras pessoas vejam o que estão fazendo.”

Muita gente faz isso, mas as películas de privacidade não são ideais. Elas escurecem a tela, afetam as cores e, uma vez colocadas, você não consegue tirá-las facilmente. A ideia da Samsung foi embutir a privacidade na própria tela — e torná-la algo que você pudesse ligar e desligar em um instante.

“Levamos mais de cinco anos para desenvolver”, contou Choi. “O desafio era que, ao desligar o modo de privacidade, você não deveria notar nenhuma degradação na qualidade da imagem. E isso não poderia consumir muita energia.” Cada novo recurso tem um custo, geralmente na duração da bateria ou no desempenho. E os usuários não gostam de um celular que já está “nas últimas” na hora do almoço.

“Os fundamentos não devem mudar”, disse Choi. “Você ainda precisa de uma ótima tela, excelente duração de bateria, desempenho, privacidade e segurança. Não podemos comprometer esses fundamentos para oferecer uma nova experiência. Ao longo do caminho, enfrentamos muitos desafios técnicos.”

Choi continuou: “Queríamos, por exemplo, privacidade para uma janela pop-up ou um campo onde você precisa digitar uma senha; queríamos que isso funcionasse em uma parte específica da tela. Então pensamos: ‘ah, isso requer controle pixel a pixel’”.

“Essa é uma tecnologia muito difícil”, disse ele. “Mas acreditamos que era importante porque a privacidade está se tornando cada vez mais essencial.”

“Nosso princípio é que não queremos criar um recurso novo apenas por criar”, afirmou Choi. “Sempre partimos da experiência do cliente e de seus pontos de dor. E, ao resolver esses problemas, não queremos criar novos. Raramente nos gabamos de mudanças em especificações técnicas; focamos no que realmente importa para os clientes.”

O objetivo era criar algo que parecesse nativo, não um acessório. Outra coisa que é nativa nos dispositivos mais recentes da Samsung é a IA. Com a Galaxy Intelligence, ela está se tornando parte de como o dispositivo inteiro funciona.

“Perguntamos a nós mesmos como poderíamos ajudar nossos clientes com a IA. Dividimos em categorias, e uma delas foi a comunicação”, disse Choi. O que explica por que um dos primeiros elementos de destaque na Galaxy AI foi o recurso de tradução simultânea, fazendo com que reservar uma mesa em um restaurante em Seul ou Sevilha se tornasse tão simples quanto em São José ou qualquer outra cidade familiar.

Outra categoria foi a produtividade, útil ao ler um artigo longo no celular, por exemplo. “Se alguém puder resumir os pontos principais, isso realmente me ajuda a economizar tempo e entender melhor o artigo ou a notícia. Por isso, colocamos a capacidade de sumarização no telefone”, explicou Choi. A terceira categoria foi a criatividade, que trouxe o Assistente de Foto logo no início. Essas três categorias ainda são importantes, mas não estão mais limitadas a aplicativos individuais.

“Não achamos que os aplicativos vão desaparecer”, disse Choi. “Mas achamos que a maneira como as pessoas usam os apps vai evoluir. Com o Galaxy S26, demos um grande salto. Temos trabalhado com o Google para criar o que chamamos de AI OS (Sistema Operacional de IA). Queremos construir uma nova infraestrutura na camada do sistema operacional.”

Atualmente, se você quer fazer algo, como reservar um restaurante, mandar mensagem para um amigo e adicionar o compromisso ao calendário, você abre vários aplicativos e transita entre eles. A Samsung acredita que a IA começará a fazer isso por você.

Reprodução/SamsungA Samsung consolidou a chegada do Galaxy S26 Ultra com foco total em fotografia computacional e fluxos de trabalho profissionais

“Você poderá apenas dizer ao assistente o que quer fazer”, disse Choi. “Então, o assistente abrirá os apps, entenderá o que está na tela, clicará nos botões certos e inserirá as informações. Ele completará a tarefa em seu nome. Vamos passar do foco no aplicativo para o foco na tarefa.”

Isso soa como um grande desafio: todo mundo conhece os aplicativos e sabe o que fazer com eles. Como a Samsung ajudará os usuários a irem além do app? “Não acho que possamos forçar as pessoas a mudar. Acho que precisamos garantir que a nova forma de usar um smartphone seja mais natural, mais conveniente. E se a nova interface de usuário proporcionar mais conveniência e facilitar as coisas para que as tarefas sejam feitas de forma mais eficiente, não precisaremos forçar ninguém. As pessoas vão mudar.”

A próxima interface após o toque

Nesse desenvolvimento, o toque deixará de ser o rei absoluto, como foi desde que o smartphone surgiu, há quase 20 anos. “Em 2007, quando o smartphone foi lançado, a interface baseada no toque era a chave”, disse ele. “Acho que na próxima era, a interface multimodal será o novo padrão.”

Multimodal significa basicamente que você não usa seu telefone de um jeito só. Você fala com ele, digita, aponta a câmera para as coisas, e o dispositivo entende tudo isso em conjunto. “Às vezes você fala, às vezes digita, às vezes o dispositivo vê o que você vê”, disse ele. “Todas essas entradas trabalharão juntas.”

Essa é uma grande mudança, mas para dar certo, há outra — talvez maior — caminhando lado a lado: muita dessa IA precisa acontecer no próprio dispositivo, não apenas na nuvem. “Para recursos que exigem altíssimo desempenho, a nuvem pode ser a melhor opção”, afirmou. “Mas para recursos que exigem privacidade e segurança mais rígidas, a IA on-device é crítica. Vamos oferecer ambas: na nuvem e no dispositivo. Na era dos agentes, estamos colocando motores de IA na camada do sistema operacional, então algumas operações acontecerão no próprio aparelho.”

Há também a questão da velocidade, já que enviar dados para a nuvem e esperar o retorno leva tempo. “A latência é muito importante. Por isso, algumas coisas precisam acontecer no dispositivo.” É por isso que os chips de smartphones estão mudando tão rápido, projetados não apenas para apps e gráficos, mas para processamento de IA. “Para proporcionar essas experiências, o chipset é fundamental”, disse ele. “A IA no dispositivo está se tornando crucial.”

O celular não vai a lugar nenhum

Óculos inteligentes
FreepikÓculos inteligentes e dispositivos vestíveis complementares estão surgindo como ferramentas do dia a dia que transformam cenas visuais em som e tato

O assunto IA leva a conversas sobre wearables e óculos inteligentes. Então, o telefone continuará sendo o dispositivo ideal no futuro? “Acreditamos que o smartphone desempenhará o papel de hub central”, disse ele. “Alguns dispositivos serão de entrada, outros de saída, mas o smartphone será o centro de tudo.”

A Samsung está trabalhando em óculos inteligentes, por exemplo, mas a ideia é que eles funcionem com o telefone, e não no lugar dele. “Os óculos são interessantes porque podem ver o que você vê, e você pode interagir por áudio. Você pode deixar o celular no bolso e ainda assim interagir com a IA.”

Mas o telefone continua fazendo o trabalho pesado. “Ele vai complementar o smartphone, não substituí-lo”, disse ele. “O smartphone sempre será essencial. O poder de processamento está no telefone e os outros itens serão dispositivos de saída. Os fundamentos não mudarão.”

Um ponto de inflexão

“Acho que haverá um ponto de inflexão”, disse Choi. “E, uma vez que alcancemos esse ponto, a mudança será muito rápida. Será exponencial, e a série Galaxy S26 é um marco para a indústria. Fizemos muitas melhorias, mas do ponto de vista do sistema operacional, elas vinham sendo incrementais. Agora, temos um sistema operacional inteligente.”

Isso volta aos pontos anteriores de Choi: a IA se torna a interface, o telefone se torna o hub e a maneira como usamos os aplicativos mudará. Mas também está claro que a Samsung não está pensando apenas em ideias futuristas. Às vezes, o trabalho é resolver problemas que as pessoas já têm — como alguém bisbilhotando sua tela no trem.

“Sempre começamos pelo usuário”, disse Choi. “Se entendemos o usuário e o problema, podemos construir a tecnologia certa. Se tivermos a estrutura correta, mais serviços poderão evoluir.”

Isso explica como a Samsung está tentando construir a próxima geração de smartphones: não apenas adicionando nova tecnologia, mas observando como as pessoas usam os dispositivos que já possuem. “Isto é apenas o começo”, disse Choi. “Estamos no início de uma nova era.”

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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