Queda no emprego é sintoma da desaceleração, necessária para conter inflação
incitada por gastança de Lula
Projeções indicam alívio modesto na Selic, para altíssimos 12,5% até 2026. Redução
seria muito maior se gestão fiscal do governo fosse mais austera
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Gabriela Biló –
12.fev.15/Folhapress
01/09/2025, 08:26 Com juros nas alturas, economia dá sinais de esfriar – 31/08/2025 – Opinião – Folha
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Após um período de resiliência surpreendente, a atividade econômica brasileira
exibe sinais claros de desaceleração, que devem se acentuar nos próximos meses.
Um deles está na geração de empregos formais, que em julho somou 129,7 mil
vagas (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/08/brasil-abre-12977-mil-vagas-formais-de-trabalho-em-julho-menornumero-para-o-mes-desde-2020.shtml), 32% a menos que no mesmo mês de 2024. Nos sete
primeiros meses deste ano, foi criado 1,347 milhão de postos, 10,3% a menos que
no mesmo período dono passado.
Essa acomodação no mercado de trabalho ainda se dá com uma taxa de
desemprego (https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/desemprego/) baixa, de 5,8%, o que sugere
moderação, não demissões em massa que seriam típicas de um ambiente
recessivo. Mesmo com reduzida desocupação, ademais, não se observa aceleração
dos salários.
Outra evidência de fadiga é a alta da inadimplência, que atingiu 6,5% para famílias
(maior taxa desde 2013) e 5,2% no total incluindo as empresas (pico desde 2017).
As concessões de novos financiamentos perdem força.
Também corroboram essa tendência dados sobre a confiança em vários setores da
economia (https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/economia/), que vem caindo nos últimos
meses. Não será surpresa se a atividade ficar praticamente estagnada no segundo
semestre.
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Tal cenário decorre do arrocho monetário que levou a taxa Selic
(https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/selic/), do Banco Central (https://www1.folha.uol.com.br/folhatopicos/banco-central/), a 15% ao ano. A política restritiva visa domar a inflação
(https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/inflacao/), incitada por gastos públicos crescentes, e
acaba freando consumo e investimentos.
As revisões baixistas para a carestia nas últimas semanas, ao menos, podem abrir
caminho para alívio monetário em breve.
A valorização do real e a queda nos preços dos alimentos explicam boa parte desse
movimento, mas a perda de ritmo do consumo e do crédito já modera também a
inflação de serviços.
Como resultado, o mercado financeiro reduziu as projeções para o IPCA em 2025
a 4,86%, e começam a cair as expectativas para os próximos dois anos. O Copom
(https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/copom/) projeta convergência da inflação para 3,4%
nesse prazo.
Além disso, o contexto internacional favorece um afrouxamento monetário no
Brasil. Nos Estados Unidos (https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/estados-unidos/), o Federal
Reserve (Fed (https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/fed/)) sinaliza cortes nas taxas de juros
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(https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/juros/) nos próximos meses. Essa flexibilização
americana tem potencial para aliviar pressões cambiais e atrair fluxos de capital
para emergentes como o Brasil.
Tudo considerado, é plausível que o BC comece a diminuir a taxa básica ainda
neste ano. Mas as projeções atuais de analistas indicam alívio modesto, para ainda
altíssimos 12,5% até 2026.
Levar a Selic a um dígito é crucial para aliviar empresas e famílias. A queda dos
juros poderia ser muito maior se a gestão fiscal do governo Luiz Inácio Lula
