Vladimir Herzog tinha 38 anos e era diretor de jornalismo da TV Cultura. Em uma onda de perseguição a comunistas, foi identificado pelos órgãos de repressão como integrante do partido. Apesar disso, ele não estava na clandestinidade e possuía emprego fixo; era também apaixonado por música, teatro e cinema.
A farsa do suicídio e a reação política
Em uma manhã, dois agentes da repressão foram até a redação da TV Cultura para convocar Herzog a prestar depoimento sobre sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro. O jornalista fez um acordo de que se apresentaria no dia seguinte.
Herzog cumpriu o combinado e, na manhã de sábado, 25 de outubro de 1975 – há exatos 50 anos –, apresentou-se no quartel-general do II Exército, local onde ficava o DOI-Codi, um dos mais temidos órgãos de repressão do regime.
No início da noite do mesmo dia, o DOI-Codi anunciou que Vladimir Herzog teria se suicidado, se enforcando na cela. Desde o início, no entanto, as evidências revelavam a farsa, com testemunhos de outros presos que indicavam que Herzog foi morto após ter sido torturado.
A morte de Herzog teve um impacto determinante no cenário político da época. O presidente Ernesto Geisel demitiu o comandante do Segundo Exército, general Ednardo Melo. Geisel e o ministro Golberi do Couto e Silva já estavam empenhados em combater a linha dura do regime militar para promover o processo de “Abertura” política.