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Por que o preo do combustvel varia em cada regio do Brasil? Especialista explica

Viajar pelo Brasil e notar que os preços da bomba mudam de estado para estado? Existe uma explicação técnica para isso. São fatores que vão desde a localização das refinarias até a logística de transporte. Para empresas de transporte e motoristas que percorrem longas rotas, entender essas variações faz toda a diferença no planejamento e no custo final das viagens.

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Três elementos explicam a maior parte dessas diferenças

Paulistas têm preços mais baixos porque há várias refinarias em São Paulo, que produz mais do que consome
Imagem: Agência Brasil

De acordo com Vitor Sabag, especialista em combustíveis da Gasola, três elementos explicam a maior parte dessas diferenças: localização das refinarias, capacidade de oferta e dependência do transporte rodoviário. “As variações regionais afetam diretamente o planejamento das rotas. É possível otimizar os abastecimentos aproveitando preços mais vantajosos ao longo do trajeto”, explica.

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No Sudeste, por exemplo, a situação é mais favorável. A região concentra várias refinarias, produz mais do que consome e ainda consegue abastecer outros estados. Isso garante preços mais competitivos e maior estabilidade.

Já no Centro-Oeste, que não possui refinarias, o combustível precisa percorrer longas distâncias por caminhões até chegar aos postos, aumentando o custo do litro.

Nordeste enfrenta desafios

Gasolina e etanol serão reonerados a partir de março
A troca de monopólio estatal por privado não garante preços mais justos, de acordo com especialista
Imagem: Agência Brasil

No Nordeste enfrenta a produção local não é suficiente para atender à demanda, e boa parte do diesel é importada. Isso torna os preços mais sensíveis às oscilações do mercado internacional e à cotação do dólar.

Um exemplo emblemático é a Bahia, que conta com apenas uma refinaria, hoje operada por um agente privado. “A troca de monopólio estatal por privado não garante preços mais justos. Para melhorar a competitividade, seria necessário atrair novos players e instalar mais refinarias em diferentes regiões do país”, comenta Sabag.

Segundo dados da Petrobras, com base na ANP, entre 28 de setembro e 4 de outubro, o preço médio do diesel S-10 no Brasil foi R$6,06, resultado da soma de diversos componentes: custo da Petrobras, impostos federais e estaduais, biodiesel e margens de revenda e distribuição. Como cada região apresenta realidades diferentes em produção, logística e tributação, o preço final nas bombas varia bastante.

O transporte rodoviário continua sendo o principal modal de distribuição de combustíveis, principalmente no trecho final entre distribuidoras e postos. Sabag destaca que, para empresas, planejar rotas considerando os preços em cada ponto de abastecimento pode reduzir significativamente os custos. “Acompanhando indicadores como KM/L e preço por litro em cada região, é possível equilibrar eficiência e economia”, explica.

Há meios para reduzir custos

Combustíveis mais caros a partir de março com a reoneração do etanol e da gasolina
Transporte tende a se tornar mais competitivo e menos dependente de caminhões 
Imagem: Agência Brasil




Há, ainda, esforços para diversificar a logística e reduzir custos. O uso de dutos entre refinarias e distribuidoras é mais eficiente, mas ainda limitado

Um exemplo são projetos de fortalecimento de cabotagem, por meio do programa BR do Mar, que é iniciativa do governo federal que busca ampliar o transporte marítimo entre portos nacionais, reduzindo custos logísticos, incentivando a indústria naval e tornando o modal mais sustentável 

Além de investimentos em ferrovias, também prometem integrar portos, centros consumidores e polos de produção, criando uma malha logística mais eficiente. Com isso, o transporte tende a se tornar mais competitivo e menos dependente de caminhões, diversificando os modais e melhorando o escoamento de cargas pelo país.

Para Sabag, o cenário ideal seria um mercado livre, onde a concorrência entre os players equilibraria os preços naturalmente.

Porém, no Brasil, a Petrobras mantém grande participação de mercado, podendo segurar os preços mesmo diante de aumentos internacionais. Ainda assim, ele lembra: “As diferenças de preço entre regiões não são necessariamente negativas. 

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